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GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
| 18/08/2008 16h27 |
| Estado busca padrão francês em sua
produção rural |
| Por Guedes de Freitas
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Se
você não pode ser o maior tem de ser o
melhor. A máxima, segundo o secretário de
Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento, Christino
Áureo, é a mola que impulsiona a
política rural do Governo do Estado em busca de uma
produção agrícola e pecuária de
qualidade, e não de quantidade, que o torne referência
nacional e internacional. Segundo o secretário, por
conta das características naturais acidentadas e de sua
pouca extensão, o território fluminense não
favorece as duas principais atividades do campo na
concorrência com outros estados brasileiros em termos
quantitativos.
– O Estado do
Rio não disputa mercado por volume, o que demanda grande
área física. Cada frente agrícola ou
pecuária que se abre no Centro-oeste ou na Região
Amazônica engole um Estado do Rio inteiro. Queremos
concorrer pela qualidade, inventividade e inovação.
Costumo dizer que o nosso estado, em termos rurais, está
para o Brasil como a França para o mundo, cujos produtos
são altamente sofisticados – compara
Áureo.
Para
chegar a este patamar, o Governo do Estado, nos últimos dez
anos, direcionou a sua política agrária para
incentivar uma produção mais adequada à sua
realidade e que se apresentasse de forma apropriada a um mercado
mais exigente.
– Os
produtos da agricultura, da pecuária e a aqüicultura
fluminenses hoje freqüentam um outro padrão de
estabelecimento que os adquire, como o da alta gastronomia. O Rio
é hoje o grande centro da sofisticação
gastronômica do país, e nossa produção
rural procura seguir esta tendência – especifica
Áureo.
Um
dos pilares desta política é o fortalecimento e a
modernização da agricultura familiar. Segundo
o secretário, graças ao programa Prosperar, os produtos
fluminenses freqüentam feiras no Brasil e no exterior com
grande sucesso.
– Por
causa do sucesso do Prosperar, conseguimos trazer para o Rio a
Feira Nacional de Agricultura Familiar, a
maior da América Latina neste segmento, que será
realizada em novembro, na Marina da Glória – destacou
o secretário.
Outro setor em que o
estado pode ser destaque no mundo é o da
produção de etanol. Áureo disse que o
tradicional setor sucro-alcooleiro do Norte Fluminense, com 300
anos de atividade, está sofrendo uma
reformulação, através do plano diretor de
agroenergia, para se tornar o primeiro no modelo de desenvolvimento
sustentável deste segmento produtivo no país. Por
meio de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) firmados com a Feema
(Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente) e
Serla (Superintendência Estadual de Rios e Lagoas) a
Secretaria de Agricultura pretende ajustar as usinas de
produção de álcool e os plantadores de
cana-de-açúcar da região de forma a sair da
estagnação para um outro patamar de
produção em que ofereça produtos ao mundo
agregados a valores política e ambientalmente
corretos.
–
Poderemos oferecer etanol produzido sem trabalho escravo ou
infantil, usando pessoal devidamente contratados, feitos em
condições ambientais respeitadas. É uma
transição muito mais demorada? É, mas como a
gente produz menos do que um estado enorme, temos de colocar um
carimbo de qualidade nesse produto que dê a ele o diferencial
dentro do mercado, especialmente nos mais exigentes e que se
preocupam com a legalidade e a correção dos
procedimentos – conceituou Áureo.
Nesta
linha, a menina dos olhos do Governo do Estado é o
Rio Genética, cujo
propósito é aplicar os conhecimentos da ciência
na produção de um rebanho altamente
qualificado. Com recursos
obtidos no Banco do Brasil no valor de R$ 47 milhões, o
Governo do Estado financia pequenos produtores na
obtenção desta tecnologia. Eles podem pagar o
empréstimo em oito anos com juros que vão de 0,5% a
6,75 % ao ano.
– Eles
podem obter animais de corte e de leite de qualidade através
da transferência de embriões. A tecnologia consiste na
fertilização in vitro de um óvulo de
uma vaca campeã por um espermatozóide de um touro
também altamente testado, com resultados comprovados, e
transfere o embrião para uma barriga de aluguel de uma vaca
comum, sem nenhuma característica genética especial.
No entanto, essa vaca vai gerar um bezerro de qualidade superior. E
outros embriões com as mesmas informações
genéticas podem ser transferidos para outras vacas comuns
gerando um rebanho sofisticado. Enfim, são gêmeos de
outros pais gerados em barrigas diferentes – detalhou o
secretário.
Áureo
lembra que o Estado do Rio é um dos mais avançados do
país no domínio desta tecnologia, inclusive possuindo
em Seropédica, na Baixada Fluminense, seu próprio
centro de produção de embriões, além de
apoiar os municípios na oferta de serviços de
inseminação artificial gratuita a produtores
familiares locais.
O panorama rural
fluminense era bem diferente há cerca de dez anos. A
produção no campo era quase de sobrevivência,
estagnada e defasada tecnologicamente. O setor cresceu muito neste
período, segundo Áureo, graças a medidas de
apoio aos produtores que, historicamente, sempre dependeram da
ajuda estatal.
– Se em
1998 o setor recebia cerca de R$ 17 milhões
anualmente em créditos rurais por anos, hoje estamos perto de R$ 200 milhões.
Este aumento de produção também gera mais
demanda para o Governo do Estado e estamos nos preparando para dar
mais impulso ainda à atividade agropecuária e de
pesca – afirmou.
Segundo o
secretário, desde que assumiu, a Secretaria de Agricultura,
Pecuária, Pesca e Abastecimento montou e dividiu os
programas em três grandes linhas: estruturantes, setoriais e sociais. São exemplos
de estruturantes, a
eletrificação rural e estradas e o Rio
Genética; são setoriais os programas
Prosperar, Frutificar, Florescer,
Rio Leite, Rio Carne, etc; e sociais, a Sopa
das Cidadania, Panela Cheia e Varejão
Volante.
Para obter mais
informações sobre os programas da Secretaria de
Agricultura, basta acessar www.agricultura.rj.gov.br.
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